Parajuru é uma aldeia de pescadores situada na região Nordeste do Brasil. Há cerca de 5 anos, uma rica austríaca, Giselle, começou a investir no desenvolvimento turístico local. Compra de terrenos, construção de casas e hotéis de luxo… Gisi, como é conhecida, ocupa o terreno econômico, mas também o terreno social local. Ela fundou uma escola para as crianças da vila, onde organiza cursos de alemão e inglês. Alguns jovens chegam mesmo a fazer estágios na Áustria.

Parajuru vive então, cada vez mais, sob influência austríaca e uma parte da população da vila começa a se interrogar sobre as intenções desta mulher que adquire tanta terra, mas que não estabelece qualquer contato com a população local.

Chico Mariano, presidente da Associação de produtores, tem um ponto de vista formado sobre essa questão. Ele afirma não ter nada contra os projetos de Gisi, mas sabe que o desenvolvimento descontrolado do turismo pode destruir, pouco a pouco, a integração entre os habitantes do lugar. Do mesmo modo, ele sabe o quanto a reserva natural próxima à vila atrai a cobiça de Gisi e de outros tantos especuladores. Ele, então, se confiou uma missão: defender os interesses da comunidade.

“Uma semana em Parajuru” retrata este vilarejo em plena transformação, dividido entre o desejo de um desenvolvimento econômico e a preservação do seu modo de vida.



Parajuru: a passagem de um mundo a outro 


A princípio, nada original. Um lugar paradisíaco no Nordeste: uma enorme praia selvagem, onde de um lado temos os habitantes locais vivendo de maneira tradicional da pesca ou do artesanato e, de outro, um investidor imobiliário, Giselle, trabalhando pelo desenvolvimento do turismo.


Um projeto cujas consequências para o lugarejo, já se podem sentir. O preço da terra aumentou consideravelmente, e é cada vez maior o número de estrangeiros que se instalam em mansões - austríacos em sua grande maioria.

Como conseqüência há um maior dinamismo da economia de Parajuru, mas uma parte da população se inquieta com o efeito que tudo isso pode trazer a longo prazo.


Seus receios são justificados pelo destino que encontraram outras vilas da região. A primeira delas foi Canoa Quebrada, antiga vila de pescadores que em poucos anos se transformou em lugar da moda. Foram construídos inúmeros hotéis, o que fez subir o preço dos imoveis e afastou os próprios habitantes do lugar. A prostituição se desenvolveu na mesma velocidade. E os jangadeiros, pescadores tradicionais, hoje carregam turistas em suas jangadas.


Gisi é consciente desa situação. Por esta razão ela progride e divulga apenas as atividades sociais que organiza ocultando os aspectos incômodos. Por isso, algumas questões se impõe: qual o verdadeiro objetivo desta escola onde se ensinam, sobretudo, a língua alemã e o inglês?

Um curso de hotelaria foi criado no interior do hotel comprado por Gisi. Durante o primeiro ano do curso de ”formação”, os jovens não recebem salário. No entanto, esses alunos realizam todas as tarefas do estabelecimento, que só se mantém graças a esta mão-de-obra barata. Muitos alunos abandonam o curso ja no inicio, por não aceitarem tais condições de trabalho.


Os projetos de investimentos são vários. Gisi construiu de forma ilícita uma escola de kite-surf na praia, em uma área declarada pelas autoridades como reserva legal. O estabelecimento pode ser interpretado como um ato deliberado de privatização de uma área preservada. As consequências são significativas para os pescadores tradicionais, na medida em que não podem mais praticar a pesca da tarrafa. Essa área da praia se tornou perigosa também para os banhistas. Outro projeto é a  construção de um mega complexo turístico composto por inúmeros bungalôs (ainda sobre a praia), de casas de luxo com piscina e uma centena de apartamentos.


Gise não é uma pessoa fácil de se aproximar e, ainda menos, de se questionar: ela não aceitou se exprimir neste filme. Ela compra todas as terras e acaba por ser o único operador econômico de Parajuru.


Parajuru está se transformando num outro mundo. O filme mostra esta transformação. Ele desvela como, insidiosamente, outras técnicas de integração são orquestradas através do mecenato social, travestidas por conceitos da moda, como o de desenvolvimento sustentável.


Graças a estas diferentes facetas de Parajuru, o filme irá propor uma reflexão sobre a globalização inevitável. E sobre esta forma de turismo que, a partir do momento em que pretende calar a voz da população, assume as feições de uma nova colonização.


 

Ficha técnica :


Duração : 52 mn


Realização : José Huerta

Produção : Jour J. Productions (Gérard Jumel)


Co-produção :

Images Plus com a participatição de RFO et do Centre Nationale de la Cinématographie.


Difusão :

France Ô : avril 2009

Images Plus : avril 2009


Difusão no Brasil :

Festival de cinema do Mercosul/ 2009

Festival de Rio-BR em setembro/ 2009.